The World is All!

Entre a teoria e a coisa sentida, esta exposição convida a encarar o mundo com curiosidade, mostrando que a arte é, afinal, o que sempre esteve, está e estará antes e depois do pensamento. Poderá, um dia, ser mais do que humana?

António Cerveira Pinto

ACP. Espera, 1979, 2026
Zapping — Centro de Arte Oliva, 2026.
ACP. Espera, 1979, 2026
Zapping — Centro de Arte Oliva, 2026.
Erasmo de Roterdão. Collectanea Adagiorum (1500), Adagiorum chiliades (1508), edição a cargo de Aldus Manutius.
Erasmo de Roterdão. Collectanea Adagiorum (1500), Adagiorum chiliades (1508), edição a cargo de Aldus Manutius.
ACP. Arquitetura, 2026.
ACP. Arquitetura, 2026.

Projetos

Mapas de Democracia

Em 1998 tive a ideia de indexar a cartografia às URLs da Web. Desta ideia nasceu um dos projetos apresentados na Expo’98: Portugal Digital. O Google Maps nasceu em 8 de fevereiro de 2005. Em 2012, surgiu outra ideia: transformar as democracias em mapas deliberativos. A IA, e sobretudo a explosão demográfica dos seus LLM, tornou-se, entretanto, um componente indispensável dos futuros mapas de democracia.

Parlamento dos Outros

A Segunda Cidade precisa dum parlamento diferente daqueles que hoje conhecemos e que estão inoperacionais. Desde logo, de uma grande assembleia deliberativa democrática. Nela, toda a realidade identificada estará presente e representada. Os modelos da IA permitirão resolver as dificuldades óbvias desta tarefa.

Mosteiro das Proposições

Os mosteiros são lugares de silêncio, compilação de conhecimento, austeridade poética e iluminação espiritual. Quer dizer, um lugar de sonho de onde nascem as grandes intuições e sentimentos que a vigília depois processa no plano da racionalidade e da ética. Nestes lugares o tempo corre devagar, mas esta lentidão de caracol transforma-se frequentemente no voo da águia que vislumbra o futuro.

Lebres
Lebres

Segunda Cidade

No ano de 2017, no âmbito dum ciclo de eventos que imaginei e comissariei (The New Art Fest), desafiei amigos das ciências e das artes a pensar a cidade atual como uma Bebinka, formada por camadas corpóreas e incorpóreas. Falámos, em particular, da emergência dos gémeos digitais urbanos e de uma profunda alteração antropológica e tecnológica da humanidade. Uns anos antes, em 2005-2006, desenvolvi, em colaboração com o arquiteto Carlos Sant’Ana e outros profissionais, um cenário para a Grande Lisboa, designando-a como uma cidade com duas margens: o Grande Estuário. De algum modo, este trabalho, exibido na Galeria Quadrum, antecede a ideia teórica da Segunda Cidade.



Gerador de Arte e Inteligência Artificial

A proliferação de museus de arte contemporânea não pode continuar. Precisamos de uma ecologia cultural distinta, liberta da armadilha diabólica da indigência irmanada ao lucro desmedido e da transformação dos museus em dispositivos educacionais de baixa intensidade — ou, pior ainda, em meros centros de captação de turismo massificado e de especulação imobiliária e financeira. A ideia de “McDonald’s” aplicada aos museus de arte deixou de fazer sentido. Precisamos de novas instituições, pós-contemporâneas, capazes de articular harmoniosamente a inteligência e a sensibilidade. A minha proposta, neste capítulo, é clara: criar de raiz um Gerador de Arte e Inteligência Artificial (GAIA).



Museu dos Provérbios

A Grande Era Digital, iniciada com a globalização da Internet e da Inteligência Artificial, sucede à Grande Era Comercial, iniciada há mais de três mil anos pelos Fenícios. Creio que este será um tempo de regresso à oralidade. A uma oralidade certamente diferente da primitiva, mas não menos universal. Faz, pois, todo o sentido criar um museu pós-contemporâneo dedicado aos provérbios. E já agora, às lendas.

Créditos e agradecimentos